3 segredos para a receita tradicional de sopa de capeletti

Matheus Troglio, cozinheiro-chefe do Senac Caxias do Sul

Ninguém melhor do que um cozinheiro, professor e morador da Serra Gaúcha para falar sobre a receita certa de sopa de capeletti (ou agnolini, como preferirem). Bem típica das tradições italianas e muito consumida no inverno gaúcho em cidades como Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Garibaldi, entre outras do interior e de colonização italiana, a sopa de capeletti conquista o paladar de quase todo mundo que degusta um prato preparado com capricho e seguindo as boas práticas dessa culinária.

Matheus Troglio, Cozinheiro-Chefe e Orientador Educacional do Senac Caxias do Sul, explica, primeiramente, a diferença entre capeletti e agnolini para acabar com qualquer dúvida ou discussão. “Em princípio, ambos são muito parecidos. Enquanto o capeletti imita o formato de um chapéu, o agnolini é mais fechado e menor, dando força ao dizer de que a verdadeira sopa de agnolini tem que caber sete agnolinis em uma colher de sopa”. Então, tudo bem falar capeletti e/ou agnolini e fim de papo, vamos em frente, pois existem segredos mais importantes e que influenciam mais para uma boa sopa do que apenas a nomenclatura da massa.

Um belo caldo
Um dos elementos fundamentais da preparação é, segundo Matheus, um bom caldo. O caldo é preparado com um pedaço de carne: “ponta de peito ou peito de frango com osso” – indica ele. Algumas pessoas chegam a colocar os dois tipos de carne juntos, não tem problema. É melhor ainda, libera mais sabor. Além disso, não podem faltar ingredientes como a cebola e o louro na panela. De acordo com Matheus, o segredo principal é cozinhar em fogo bem lento e sem pressa por cerca de 1 hora. Antes de acrescentar os capelettis à panela, o caldo precisa ser coado.

A massa congelada e o cozimento
Os capelettis ou agnolinis podem ser recheados com frango ou carne ou até mesmo com as duas carnes juntas, o que é bastante comum em muitos preparos típicos da Serra Gaúcha. Entretanto, independentemente do recheio, um fator de extrema relevância é o cuidado na hora de colocá-los na panela. “Devem ser colocados congelados no caldo para que não grudem um no outro e nem desmanchem” – destaca o cozinheiro-chefe. Neste momento também é primordial observar quão quente está o líquido. Segundo Matheus, o caldo deve estar sempre fervendo para que cozinhe bem a massa; caso contrário, o agnolini ou capeletti ficarão com aspecto arenoso na hora de servir. Os capelettis são cozidos em fervura rápida, a fim de evitar que inchem ou desmanchem. A dica é observar o ponto da massa. Quando essa estiver macia quer dizer que está na hora de servir, e isso, normalmente, não demora mais que 10 minutos cozinhando.

O modo de servir
Uma sopa de agnolini típica da Serra Gaúcha deve ser servida acompanhada de pão, parmesão ralado e crem, raiz forte em conserva de vinagre. O crem é consumido junto com a “carne lessa” – denominação italiana que se dá à carne cozida no caldo (o lesso) e servida à parte da sopa. Já o parmesão vem acrescentar a sopa (e, nas tradições italianas, não se economiza na quantidade de queijo ralado, seja nas sopas, cremes, massas ou risotos). O pão, por sua vez, também não pode ficar de fora. “Pois, como dizem os habitantes da Serra, em uma mão seguramos a colher e na outra o pão para empurrar a sopa” – explica o cozinheiro.

#DicaDeCozinheiro
Depois de coado, o caldo pode ser congelado por cerca de um mês desde que não tenha sido adicionado sal.

Gostaram das dicas? Então, agora é hora de fazer a receita certa e tradicional de sopa de capeletti para receber a família ou os amigos nos dias mais fresquinhos. Buon appetito!, como diriam os italianos.

Deixe uma resposta